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sexta-feira, 30 de junho de 2017

A ALEGRIA NO TRABALHO

profissões

"Escolha um trabalho que você ame e não terás que trabalhar um único dia em sua vida". Confúcio, filósofo chinês, chama a atenção, nesta frase, para a origem da palavra "trabalho", que vem de Tripalium (ou trepalium), o nome de um instrumento romano de tortura.

Isso posto, compreendemos o porquê do trabalho ter sido associado (e até hoje é por muitos profissionais) como um espaço ou momento de tortura, de insatisfação. Corrobora para esta ideia, o próprio conceito de trabalho na Grécia Antiga em que este estava atrelado à escravidão. Isso porque “homens livres” eram considerados cidadãos e se ocupavam somente com a arte de comandar ou pensar. Os trabalhos que exigiam força física eram destinados aos escravos. Somente estes “trabalhavam”. O trabalho era, dessa forma, algo indigno praticado por “homens indignos”.

Para Karl Marx, trabalho é uma atividade sobre a qual o ser humano concentra sua força para garantir seu sustento. Assim, o trabalho seria um “bem inalienável”, sendo o direito ao trabalho o direito à Vida, à sobrevivência. Vale lembrar que, nas sociedades rurais, na Idade Média, o homem produzia alimento para sua própria subsistência e consumo, sem se preocupar com lucro.

Com a Revolução Industrial (Séc. XVIII), iniciada na Inglaterra, mudanças sociais ocorreram acarretando mudanças nas relações de trabalho. O homem passa a vender sua força de trabalho para as indústrias que pagavam salários irrisórios. Homens, mulheres e crianças trabalhavam em fábricas, recebendo estas a metade do salário destinado a homens adultos. Além disso, lembra-nos o historiador e escritor Joel Rufino dos Santos, no artigo, “A Galinha dos Ovos de Ouro”, sobre as relações de trabalho advindos das ideias de “oferta e procura” e do conceito de “Mais-valia”:

“Quem compra trabalho (os capitalistas) vende seu produto (as mercadorias) por um valor acima do que ele lhe custou. Essa diferença ganhou o nome de mais-valia. Mais-valia é a diferença entre o que custou o trabalho para fazer uma coisa e o preço pelo qual esta coisa é vendida”. (SANTOS: 2010, p. 03)

Em consequência das precárias condições de trabalho, e da extensa substituição de homens por máquinas, surgiram movimentos sociais, a fim de garantirem as adequadas condições de trabalho. Com isso, houve a proibição do trabalho infantil, reservando à criança o direito ao estudo e a redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias para os adultos.

No Brasil, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) surgiu em 1943, sancionada pelo presidente Getúlio Vargas, a partir do decreto 5.452, de 1º de maio daquele ano.  Muitas mudanças se seguiram na relação com o trabalho. Entendendo por trabalho uma atividade remunerada e constante que requer esforço físico e ou intelectual, não se pode negar que passamos boa parte do dia nestas atividades. Seja numa empresa, seja em casa. Atualmente, muitas pessoas trabalham em seus lares, nos chamados “Home offices”. Entretanto, independente do espaço de desenvolvimento das atividades de trabalho, é preciso que seja um ambiente aprazível.

Parece simples, mas efetivamente não é assim que acontece em boa parte das empresas. O ambiente de competição instalado na busca incessante por resultados sacrificou diretamente excelentes profissionais que, se sentindo sobrecarregados passaram a adoecer com frequência ou a entristecer e não estabelecer com os colegas relações mais estreitas de amizade, vendo nestes não parceiros, mas sim concorrentes, inimigos. “Colega de trabalho não é amigo”, alguns dizem com precisão.

O tempo, a crise econômica e os excelentes resultados das chamadas “Empresas Felizes” como a GOOGLE mostram que “empresas felizes” têm profissionais realizados que “vestem a camisa da empresa” não por obrigação, ou medo de serem demitidos, mas porque se sentem realizados, valorizados em suas funções. Enfrentam os desafios com confiança e se sentem inseridos na “Missão” da empresa, fazem parte de seus “Valores”.

Alegria no Trabalho, na sociedade contemporânea, é fundamental para melhorar o desempenho das atividades, melhorar e ampliar os resultados. Colegas de trabalho são tratados com afeto. São parceiros sem os quais as funções não serão bem desenvolvidas.

Uma pesquisa na Universidade de Chicago nos Estados Unidos listou as 10 profissões mais felizes do mundo. O que elas têm em comum? Os altos salários? Não. O que elas têm em comum é o sentimento que promovem nos profissionais que as exercem. Sentimento de “Pertencimento”, de ajuda. Estes profissionais se sentem úteis, sentem-se fazendo parte de um todo, sentem que contribuem, de alguma forma, para o bem da sociedade, da humanidade. Atrela-se a isso a sensação de liberdade de expressão, de autonomia de algumas dessas profissões. São eles clérigos, bombeiros, fisioterapeutas, escritores, professores de educação especial, professores, artistas, psicólogos, vendedores de serviços financeiros e engenheiros de operação segundo a pesquisa.

Isso posto, podemos perceber que felicidade no trabalho não tem nada a ver com o salário recebido. É evidente que profissionais felizes, que desempenham suas atividades com competência e com um sorriso no rosto destacam-se e se tornam mais bem remunerados. Vale ressaltar também que há empresas que não são felizes e um profissional como este deve, nestes casos, levar sua alegria a espaços que o valorize. Não há barreiras para bons profissionais, mas horizontes.

Quando uma empresa demite um excelente profissional que ousava, pensava “fora da caixa”, estava à frente de seu tempo e atribuições, que agregava valor, é a empresa que perde. Perde talento, perde a capacidade de transformar-se. Às empresas cabem tratar seus funcionários com respeito, com atenção, cuidado e afeto. Com estes ingredientes, fica quase impossível de não se ter um ambiente aprazível e feliz.

A alegria, porém, vem de dentro e é preciso ser motivada. Motivação é a palavra de ordem da alegria. Motive-se! Sorria! Pense que seu trabalho é importante para o bom funcionamento da empresa, para o seu funcionamento. Ouça música, leia, compartilhe, tire uns minutos para meditar, faça parcerias, amizades, seja solidário, ajude e peça ajuda, mostre seu talento e perceba os talentos ao seu lado. Seja feliz. Como disse Oswald de Andrade, “A Alegria é a prova dos nove”.

(Cintia Barreto é Doutora em Letras Vernáculas e Consultora)

10 ERROS COMUNS NA GESTÃO EMPRESARIAL

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1. Cobrar demandas que não são devidas aos cargos.

2. Não reconhecer as contribuições positivas, a criatividade e o protagonismo dos funcionários, negando-lhes o "pertencimento" à empresa.

3. Controlar excessivamente tarefas com prazos desumanos.

4. Não estabelecer diálogo direto com todos os setores.

5. Decidir de forma individualista sem ouvir as contribuições de todas as seções envolvidas nas ações.

6. Contratar pessoas desqualificadas para cargos de lideranças.

7. Ser insensível às questões humanas e sociais.

8. Seguir modelos de ações e gestões que não se enquadram ao contexto social da empresa.

9. Não remunerar adequadamente os funcionários de acordo com a qualificação e o desempenho.

10. Não estabelecer um plano de carreira, visando ao crescimento profissional de funcionários que se destacam.

(Cintia Barreto é Doutora em Letras Vernáculas e Consultora)

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Cintia Barreto - Doutora em Literatura Brasileira Cintia Barreto